a Guarda Real, as Espadas Brancas.
- Também o Regicida o era quando matou o antigo rei - Arya
lembrou. - Não tenho de ir com vocês se não quiser.
Sor Meryn Trant ficou sem paciência.
- Capturem-na - ordenou a seus homens e abaixou o visor do
elmo.
Três dos homens avançaram, fazendo tilintar suavemente a
cota de malha a cada passo. Arya sentiu um medo súbito. O
medo golpeia mais profundamente que as
espadas, disse a si mesma a fim de acalmar as batidas do
coração.
Syrio Forel interpôs-se entre os homens e Arya, que batia
levemente com a espada de madeira na bota.
- Parem aí mesmo. São homens ou cães para ameaçar uma
criança?
- Saia da frente, velho - disse um dos homens de manto
vermelho.
A espada de madeira de Syrio subiu assobiando e ressoou
contra o elmo do homem.
- Chamo-me Syrio Forel, e vai se dirigir a mim com mais
respeito.
- Maldito careca - o homem puxou a espada. A madeira
voltou a movimentar-se com uma rapidez que cegava. Arya
ouviu um sonoro crac quando a espada bateu ruidosamente
no chão de pedra. - Minha mão - gemeu o guarda, agarrando
os dedos quebrados.
- É rápido para um mestre de dança - Sor Meryn disse.
- É lento para um cavaleiro - Syrio respondeu.
- Matem o bravosiano e tragam-me a menina - ordenou o
cavaleiro da armadura branca. Quatro guardas Lannister
desembainharam as espadas, O quinto, o dos dedos
quebrados, cuspiu e puxou um punhal com a mão esquerda.
Syrio Forel rangeu os dentes, pondo-se na sua posição de
dançarino de água, apresentando apenas o flanco ao inimigo.
- Arya, minha filha - chamou, sem olhar para ela, sem nunca
tirar os olhos dos Lannister -, basta de dança por hoje. É
melhor que vá embora. Corra para junto do seu pai.
Arya não queria deixá-lo, mas Syrio a ensinara a fazer o que
lhe dizia.
- Ligeira como uma corça - sussurrou.
- Precisamente - disse Syrio Forel, enquanto os Lannister se
aproximavam.
Arya recuou, com a espada de madeira bem apertada na mão.
Ao vê-lo agora, compreendeu que Syrio se limitara a brincar
com ela nos seus duelos. Os homens de manto vermelho
aproximavam-se dele por três lados, de aço nas mãos. Tinham
o peito e braços revestidos de cota de malha, e uma malha de
aço cosida às calças, mas apenas couro nas pernas. As mãos
estavam nuas, e os capacetes que usavam tinham protetores
para o nariz, mas não uma viseira sobre os olhos.
Syrio não esperou que o alcançassem e girou para a esquerda.
Arya nunca vira alguém mover-se tão depressa. O bravosiano
parou um golpe de espada com seu pedaço de pau e rodopiou
para longe de uma segunda lâmina. Desequilibrado, o
segundo homem cambaleou sobre o primeiro. Syrio deu-lhe
com uma bota nas costas, e os homens de vermelho caíram
juntos. O terceiro guarda saltou por cima dos companheiros,
dando um golpe na cabeça do dançarino de água. Syrio
esquivou-se sob a lâmina e deu uma estocada de baixo para
cima. O guarda caiu aos gritos, jorrando sangue do úmido
buraco vermelho que se abrira onde estivera seu olho
esquerdo.
Os homens que tinham caído estavam se levantando. Syrio
pontapeou um deles na cara e arrancou o capacete de aço da
cabeça do outro, O homem da adaga tentou apunhalá-lo.
Syrio defendeu-se com o capacete e partiu-lhe a rótula com a
espada de pau. O último homem de vermelho gritou uma
praga e avançou, brandindo a espada de cima para baixo com
as duas mãos. Syrio rolou para a direita, e aquele golpe de
carniceiro atingiu entre o pescoço e o ombro do homem sem
capacete, que tentava se ajoelhar. A longa espada triturou
cota de malha, couro e carne. O homem de joelhos guinchou.
Antes que seu assassino conseguisse libertar a espada, Syrio
deu-lhe uma estocada no pomo de adão. O guarda soltou um
grito sufocado e cambaleou para trás, agarrado ao pescoço,
com o rosto já enegrecendo.
Quando Arya alcançou a porta dos fundos, que dava para a
cozinha, cinco homens estavam caídos, mortos ou morrendo.
Ouviu Sor Meryn Trant praguejar.
- Malditos idiotas - resmungou, sacando a espada da bainha.
Syrio Forel regressou à sua posição e rangeu os dentes.
- Arya, minha filha - chamou, sem nunca olhar para ela -, vá
embora agora.
Olhe com os olhos, dissera ele. E ela via: o cavaleiro
coberto dos pés à cabeça pela armadura branca, com as
pernas, garganta e mãos revestidos de metal, os olhos
escondidos atrás do grande elmo branco, e aço afiado nas
mãos. Contra aquilo: Syrio, vestido de couro, com uma
espada de madeira na mão.
- Syrio, fuja - ela gritou.
- A primeira espada de Bravos não foge - ele cantou, enquanto
Sor Meryn lhe desferia um golpe. Syrio pulou para longe,
fazendo do pau uma mancha indistinta. Num instante, tinha
lançado golpes contra a têmpora, o cotovelo e a garganta do
cavaleiro, fazendo a madeira ressoar contra elmo, manopla e
gorjal. Arya não conseguia se mexer. Sor Meryn avançou;
Syrio recuou. Parou o golpe seguinte, rodopiou para longe do
alcance do segundo e se desviou do terceiro.
O quarto cortou a espada de pau em dois, estilhaçando a
madeira e estraçalhando-a através do núcleo de chumbo.
Aos soluços, Ary